RECHEIO — A IA matou o seu SEO?
#106 - O velho mundo do ranqueamento não volta mais
#️⃣ Edição 106
Lembra quando a Inteligência Artificial começou a dar respostas nos resultados do Google e parecia que tudo ia ficar bem para os sites que já ranqueavam alto?
A gente sabe como isso acabou… Sites de conteúdo tiveram uma queda de 16% nos cliques orgânicos e nunca mais se recuperaram.
Agora, 2 anos depois, começa a ficar mais claro que a realidade da busca orgânica mudou completamente e que o velho mundo do SEO não volta mais.
Tenho acompanhado diariamente isso em sites, onde a queda de orgânico não é substituída pela desejada Source chatgpt.com. Ela pode até aparecer lá no seu GA4 e criar alguma expectativa, mas os números simplesmente não escalam no mesmo volume da origem Organic que foi embora…
Segundo um levantamento da hrefs, apenas 38% dos resultados mais citados no Google AI Overview envolviam conteúdos de páginas ranqueadas no top 10. Quando o estudo foi realizado pela primeira vez, em julho do ano passado, a participação era de 76%.
Entenda a nova realidade: ser relevante nos resultados de busca deixou de ser relevante para os resultados de IA.
Isso é resultado direto do desmonte das antigas métricas de ranqueamento como sinais reais de relevância para um conteúdo. Backlinks, page authority, tempo de permanência, cliques orgânicos… Nada disso importa mais para ser encontrado em buscas por IA.
A única coisa que importa é relevância
Em um artigo recente, o consultor Jono Alderson propôs uma análise dolorosa de aceitar: o SEO nunca serviu para medir a relevância real de uma marca, mas apenas como essa marca aparecia nos resultados de busca.
Isso parece meio óbvio, eu sei. Mas traz uma consequência mais profunda: estar bem no Google não significa ter uma marca relevante e competitiva. Ganhar no Google não significa ganhar do concorrente. Ocupar a search page não é o mesmo que ocupar o espaço mental do público.
E agora o cenário das respostas de IA revelam isso de maneira impossível de ignorar.
A pergunta deve mudar de “estamos visíveis?” para “estamos competitivos?”
Os cliques não importam
Devemos abandonar sinais como ranqueamento, impressões e CTR e passar a olhar critérios mais estruturantes que determinam se uma marca é fácil de notar, fácil de confiar e fácil de escolher.
Em um mundo de respostas por IA, as táticas de SEO perdem espaço no “growth” de uma marca. As regras clássicas do marketing voltam a ser muito mais relevantes para um produto ou uma empresa dominar o espaço de autoridade na mente do público.
Alguns pilares são fundamentais para que isso aconteça.
Disponibilidade é um exemplo. Se antes bastava que a página do seu produto estivesse bem ranqueada para ela ser a primeira opção no clique, hoje isso importa quase nada. Com a mesma busca, o Gemini vai navegar por milhares (milhões) de plataformas avaliando verbetes, descrições, avaliações, opiniões, links, publicidade, comentários, referências, posts de social… Muito mais sinais do que é possível mapear ou monitorar.
São esses critérios que levarão o LLM a decidir se a sua marca aparece ou não como resposta. E se ela não estiver largamente disponível na web (muito além do seu site), ela simplesmente não vai aparecer.
Então o GEO é mentira?
O tal do Generative Engine Optimization promete melhorar a menção ao seu site/marca nas respostas de sites de LLM. Seja Claude, ChatGPT, Gemini ou Copilot. Mas cada vez mais isso parece a promessa de um remédio milagroso que aparece no intervalo de vídeos do YouTube que seus pais assistem (”vai curar sua artrose!”).
Como bem apontou Alderson, o SEO nada mais é do que uma série de técnicas desenvolvidas em tentativa e erro. A gente alterava alguma coisa na página, voltava para o resultado da busca e via o que acontecia. Ajustes técnicos que trazem melhor ranqueamento não necessariamente significam mais força de marca, apenas que o link apareceu mais pro alto.
A maneira como a IA funciona é totalmente diferente. Critérios, referências, análises e julgamentos acontecem numa caixa preta em constante evolução. Mudar como as coisas aparecem na página (ou no código) não basta. O GEO não é capaz de resolver o que o verdadeiro marketing promove desde a sua raiz.
Construa marcas fortes, entregue valor de verdade e crie conteúdo que realmente atenda às expectativas e necessidades do seu público. Não é deixar as soluções de SEO de lado, mas não olhar apenas para elas como a resposta para os novos dilemas.
Na era da IA, não são os hacks mágicos que vão fazer a diferença, mas a construção consistente de uma estratégia que domine o espaço mental do público. Se estiver na mente das pessoas, vai estar na mente da IA.
INSTAGRAM, VERSÃO PAGA
O Instagram vai entregar aquilo que o povo quer: stalkear stories de modo anônimo. Esse é um dos recursos que a Meta está testando em uma nova versão paga do aplicativo, o Instagram Plus. O recurso de disponibilizar link na legenda, que eu falei há algumas edições, faz parte desse pacote, além da possibilidade de diferentes listas de audiência (além dos Close Friends) e deixar um Story disponível por mais 24 horas. Talvez o mais interessante seja a nova opção de criar um Story Highlight por semana, que fica como o primeiro a aparecer na lista de stories do seu público. O preço ainda não está oficialmente divulgado, mas dados vazados do México e Japão ficam na faixa de US$ 2,00, ou cerca de R$ 10,00. Lembrando que essa assinatura não tem nada a ver com o Meta Verified, que vai seguir como um produto separado.
MELHOR HORÁRIO PARA POSTAR NO YT
O melhor horário para postar seus vídeos no YouTube é domingo às 10h. A dica é da Buffer, que atualizou seu relatório de tendências de engajamento na plataforma. Mas atenção: isso é para vídeos mais longos. Se o conteúdo for para o Short, aí a melhor janela é sempre à noite, especialmente sextas-feiras às 18h ou 19h.
O comportamento de quem usa YouTube se tornou bem previsível depois da chegada do Shorts e do crescimento do consumo de vídeos em Smart TVs: a preferência é por assistir conteúdos longos no conforto do sofá enquanto navega no celular pesquisando outras coisas. Já durante a semana, é ver conteúdos curtos em casa, durante a janta ou já deitado na cama. E frequentemente esses shorts são de canais que a audiência não segue, o que permite a descoberta de muitos conteúdos novos. Então poste no Shorts para ser descoberto através de vídeos de interesse geral e use os vídeos longos para aprofundar nos temas que são pilares da sua marca.
AO VIVO, SÓ COM HORA MARCADA
O LinkedIn não permitirá mais entrar ao vivo de maneira imediata. Agora, será necessário sempre agendar um evento com antecedência — embora a plataforma afirme que isso pode ser feito até mesmo poucos minutos antes. A intenção, segundo a empresa, é tornar as transmissões mais fáceis de serem descobertas, já que a criação do evento permite maior alcance do Ao Vivo e eleva as chances de engajamento. Já usei o LinkedIn para transmissões e sempre me surpreende como o envolvimento é alto por lá quando o tema envolve carreira ou aprimoramento e, se você conseguir comentários e likes de pessoas de influência, a audiência sobe significativamente.
NOVELIN-IA
(Respirando fundo) às vezes, a internet é uma coisa muito difícil de explicar… A maior viralização do TikTok no momento é uma série de vídeos chamada Fruit Love Island, basicamente uma versão do De Férias Com o Ex, mas com frutas como protagonistas. Sim, o negócio é bem tosco, todo criado com IA e já atraiu milhões de views.
Ela foi lançada há menos de um mês pela conta ai.cinema021 e, desde então, seus episódios diários de poucos minutos já alcançaram mais de 14 milhões de pessoas. São histórias bem bobas, com personagens como Bananito (uma banana), Watermelina (uma melancia) e Strawberrina (uma morango) vivendo romances, traições e competindo…?
É o primeiro conteúdo viral desta escala feito por IA e, aparentemente, uniu algumas trends que já vinham crescendo na plataforma: novelinhas, romances e comida.
Embora pareça que esse é só mais um sinal do fim dos tempos, a trend já atraiu alguns likes de celebridades e até ações de marcas. Ninguém parece saber muito bem como navegar nesse novo interesse, mas, ao mesmo tempo, o risco de embarcar parece baixo. Não sei dizer se uma versão brasileira (com frutas do cerrado) vem ai. Mas eu apostaria que logo, logo alguma série viral brasileira 100% de IA vai dominar as conversas por aqui.
BOCADITOS
Links rápidos para leituras demoradas.
• 5 creators dão dicas para marcas que querem chamar atenção em social [Later]
• Insights de marketing do primeiro trimestre de 2026 [M15]
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Por Alberto Cataldi, diretor de marketing e jornalista. Me segue lá no Linkedinho que também compartilho coisas deste universo (e memes).
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