RECHEIO — Marketing de vibes
#105 - Eu achava que ia odiar...
#️⃣ Edição 105
Será que para fazer um bom trabalho de marketing a gente não precisa de KPIs, métricas e planejamento integrado? Será que basta…
Manter a vibe?
Quando eu fui a fundo entender esse tal de Vibe Marketing, eu estava disposto a odiar mesmo antes de saber o que era.
E amigos, sinto informar, mas faz sentido.
Primeiro, o histórico: com a chegada da Inteligência Artificial, possibilitando que várias pessoas sem domínio técnico possam executar trabalhos especializados (ou pedir pra um robô executar, tanto faz), simplesmente entrar no Claude/ChatGPT/Gemini e ir pedindo coisas para tentar formatar uma ideia começou a virar uma prática comum.
A área de DEVs foi a primeira nessa onda. O Vibe Coding é a forma de quem não entende muito de programação sair pedindo para a IA desenvolver apps, plataformas, sites ou produtos a partir de pedaços de ideias e um processo de… bem, ir sentindo a vibe.
Em parte, isso é uma resposta a um comportamento social muito presente. Com tanta velocidade e mudanças na vida contemporânea, ter tempo para desenvolver uma ideia e validar tecnicamente virou luxo. O que todo mundo quer é de ter a ideia, executar rápido e colocar pra rodar pra ver se era isso mesmo.
Entende como isso pode fazer sentido para o marketing e o conteúdo?
As trends passam, os influencers do momento mudam, as preferências de consumo estão dispersas em infinitos nichos. Mapear tudo e analisar de maneira efetiva é uma impossibilidade. Talvez faça mais sentido deixar o rigor técnico e os processos de lado e… seguir a vibe?
Vibe Marketing
É um conceito baseado em seguir mais o instinto do que os dados; ir no clima da tendência mais do que nos KPIs da campanha. Quando dá certo, pode até ser que as peças não estivejam consistentes e bem amarradas, mas o sucesso vai ter sido em construir um lugar emocional e imaginário no público.
“É sobre instintos, vibes e como as coisas farão alguém se sentir para que compre com o coração, não com a cabeça” [Fast Company]
Eu consigo até ouvir alguns de vocês neste exato momento implorando pra eu não convencer seus chefes de que a moda do momento é seguir o instinto ao invés dos dados.
Mas calma. Hoje a gente consegue ter um pouco de cada, graças à chegada da IA.
Pensa comigo:
Uma trend aparece e tem a vibe certa para a sua marca participar.
Você tem uma vaga ideia do que fazer, mas tem que ser rápido
Você tem um histórico de todas as ações que sua marca já executou, com os resultados.
Você tem uma meta que gostaria de alcançar.
Joga tudo isso no ChatGPT, ajusta e manda pro ar.
Funcionou ou não? Tanto faz, o aprendizado acontece e vira indicadores que você pode usar na próxima ideia. É a cultura tech de hipótese, teste e validação aplicada ao marketing.
Pra funcionar, a cultura do marketing precisa sair do pensamento de “gerenciar campanhas” e mudar para “orquestrar estratégias”. Toda aquela complicação de decidir investimentos, manter um pipeline cravado e ter um monitoramento padronizado fica um pouco de lado. Encontrar oportunidades vira o drive da operação e o que garante que tudo esteja coeso é justamente a manutenção da vibe — entenda, manter a marca e seu discurso acima do apego ao guide ou à integração entre campanhas.
Entre os pilares que o vibe marketing sustenta bem estão impacto emocional, relevância cultural, senso de comunidade e consistência estética. Basicamente elementos que fazem o público sentir que o que a marca faz ressoa com ela.
Sim, é muito mais provável funcionar em empresas pequenas. E isso é o que mais me anima nesse conceito: criar oportunidades e testar sem muito investimento é a condição perfeita para estruturas enxutas que não tem grana para diversificar.
Minha recomendação? Se você está em uma empresa grande, com planejamentos bem estruturados e/ou muita dependência entre áreas, adote um pouco da vibe para acelerar seus processos com a IA. Mas não invista demais nisso, pois certamente você vai criar mais atritos do que agilizar as coisas.
Agora, se você está em uma startup ou empresa de estrutura enxuta e rápida tomada de decisão? Vale a pena colocar alguns pilares e etapas do Vibe Marketing dentro da sua rotina. Talvez estimulando o time através de 1 ou 2 ideias por mês que venham dessa agilidade de identificar uma oportunidade e fazer acontecer, mesmo que a única coisa que você tenha certeza é de que a vibe está certa.
É GENTE QUE ENGAJA
Um experimento da Emplifi revelou que Facebook Reels que mostram pessoas falando nos primeiros 3 segundos têm mais engajamento. Comparado a conteúdos com apenas música, por exemplo, o engajamento é 25% maior. E o impacto acontece mesmo que a pessoa apareça por apenas um 1 segundo no início do vídeo, com taxas de retenção 10% maiores do que não mostrar ninguém. Outra comprovação da pesquisa (que a gente meio que já sabia) é que vídeos em loop (onde o final traz um pouco do início do vídeo) têm 19% mais engajamento e 16% mais retenção. Mas apenas nos casos de conteúdos de até 7 segundos. No site deles tem mais detalhes de outros testes feitos.
GOOGLE COPIA, MAS NÃO FAZ IGUAL
O Google está mudando as manchetes de vários sites de notícias no Discover. Quem reportou primeiro foi o The Verge, que identificou diversas de suas chamadas ajustadas com a ajuda de IA. Um dos exemplos (tradução minha): “Eu usei a ferramenta de IA ‘trapaceie em tudo’ e ela não me ajudou a trapacear em tudo” virou “Ferramenta de IA para trapacear em tudo” na versão do Google.
A empresa disse ser um teste “pequeno e limitado”, mas não especificou quão pequeno ou limitado. O que está bem óbvio é a obsessão do Google em usar IA para aumentar o engajamento em seus produtos através dos conteúdos dos outros, mesmo que isso signifique… mudar os conteúdos dos outros.
Isso já acontece com alguns resultados de Gemini na busca, ao resumir e agregar diversas respostas para criar um conteúdo que pode ou não ser fiel ao original. Então, vale ter atenção redobrada em como seus conteúdos podem estar aparecendo nas ferramentas do Google.
A INCRÍVEL TREND DIGITAL
Esse é mais um daqueles casos de tendências gigantes que acontecem silenciosamente para alguns. Na última semana, a busca por The Amazing Digital Circus cresceu mais de 3.700% no YouTube. Fui atrás para descobrir uma animação independente de um estúdio chamado GLITCH, que já atraiu mais de 95 milhões de assinantes. E agora, em parceria com a Netflix, ele chegou ao público “geral”.
A plataforma de streaming percebeu a tendência já no ano passado, e firmou um contrato onde novos episódios vão estrear por lá no mesmo dia do YouTube. Desde então, o interesse tem só crescido.
O mais interessante da produção (que tem 8 episódios produzidos ao longo de 2 anos) é a linguagem extremamente online. Desde a estética com jeito de jogo de celular, passando pelos personagens compostos de diversas referências, linguagem de meme e um tipo de humor bem ácido. As crianças adoram.
Mesmo independente, o Incrível Circo Digital já tem brinquedos e peças de roupas à venda. Silenciosamente, construíram um público imenso e estão influenciando a maneira como conteúdos online são interpretados por crianças. Espere mais sinais deles por aí.
O FIM DO SORA
O Sora já foi o futuro do cinema. Agora é só mais um app que vai sair do ar. O anúncio da OpenAI pegou algumas pessoas de surpresa, já que o gerador de vídeos criado a partir da plataforma do ChatGPT levou até a um acordo bilionário com a Disney há menos de 3 meses. E sim, a gigante do entretenimento também abandonou a parceria após o anúncio.
Com isso, os rumores da tal Bolha da IA só aumentam. Encerrar uma plataforma com menos de 5 meses de lançamento e que, supostamente, atingiu mais de 1 milhão de usuários em apenas 5 dias parece uma decisão fora da caixa. Mas há outras explicações possíveis.
Desde o lançamento, o volume de downloads do app vem caindo ao mesmo tempo em que estúdios de cinema e produtores começaram a reclamar mais ativamente do uso da IA para copiar filmes, séries e vídeos.
Mas o problema maior hoje é o foco. Apesar de reportar US$ 13 bilhões em receita em 2025, a OpenAI já anunciou que vai precisar investir outros US$ 100 bilhões durante os próximos 4 anos para atingir as metas de produto. Ou seja, a empresa vai ter que focar em poucos e rentáveis projetos, o que inclui um tal superapp para desktop que unirá diversos recursos de IA para o trabalho.
Incrível como a OpenAi foi de “empresa que vai roubar nossos empregos” para “empresa de executivos tentando manter seus empregos”. Mas é só mais uma prova de que a tal disrupção da IA vai acontecer com cada vez mais velocidade, mesmo que sacrificando qualidade e mostrando cada vez mais anúncios nas respostas do ChatGPT.
BOCADITOS
Links rápidos para leituras demoradas.
• Meta e YouTube são julgados responsáveis por causar vício e afetar saúde mental de jovens nos EUA [The New York Times]
• Como fazer marketing de influência no qual que os clientes confiem [HBR]
Obrigado pela leitura!
Esta é a newsletter RECHEIO. Toda quinta-feira, às 07h08, conteúdo que importa direto no seu e-mail.
Por Alberto Cataldi, diretor de marketing e jornalista. Me segue lá no Linkedinho que também compartilho coisas deste universo (e memes).
Quero saber o que achou! É só responder este email. Mande elogios, dúvidas e críticas.
Até a próxima!







