RECHEIO EXTRA — A conversão não é mais sua
#extra - Todos os CTAs perderam o sentido, toda a sua estratégia precisa mudar
O Google não quer te enviar as visitas. O Instagram não quer te enviar tráfego. O TikTok mal quer que você tenha alcance na plataforma…
Você percebeu? A sua marca não é mais dona do próprio funil.
Depois das últimas três semanas de anúncios e análises, um novo cenário ficou bem claro para mim e decidi escrever essa edição de RECHEIO EXTRA para aprofundar. O que está acontecendo não é pouca coisa e você deveria estar prestando mais atenção.
As plataformas estão deixando cada vez mais claro que não querem ser meio. Querem ser o destino final. E isso obriga as marcas a repensarem suas estratégias de marketing e conteúdo.
Gosto sempre de resgatar o relatório da BCG sobre o fim do funil linear pois ele traz uma transformação brutal que ainda não foi totalmente absorvida (e entendida) pelas empresas. (recomendação: estude a fundo e compartilhe com seu time de marketing.)
A jornada de decisão já não segue mais um caminho previsível de awareness, consideração e decisão. Ou até segue, mas em ciclos completamente fragmentados, simultâneos e não lineares.
Pense em como jornada se dá. A conversão não é apenas a decisão de comprar ou não, mas dezenas de micro decisões:
Clicar ou não
Pesquisar mais ou não
Olhar vídeos ou fotos
Comparar com o quê
Conhecer mais ou ignorar uma marca
Essa mudança já é complexa e poucas empresas estão realmente adaptadas a ela. Só que agora existe uma nova disrupção. Cada vez mais, essas decisões deixam de ser tomadas por pessoas e passam a ser feitas por Inteligência Artificial.
Zero clique, zero stress
Se antes o comportamento natural era dar um Google ou navegar em um board de Pinterest para se inspirar, agora o mais comum é perguntar e receber uma resposta. Pedir e receber uma solução. Sem a necessidade de “saber mais”, “conhecer melhor” ou “tirar suas dúvidas”. Tudo vira conversa.
Todos os CTAs perdem o sentido quando existe um intermediário que já pesquisa, resume, interpreta e entrega tudo pronto para você.
“Mas as pessoas vão demorar a se adaptar a isso, é um comportamento novo.”
O comportamento já mudou, e olha que a tecnologia ainda está apenas engatinhando.
A nova busca do Google é praticamente zero click, o Instagram empilha formatos para sustentar permanência infinita e o Claude permite integrar inúmeras aplicações para facilitar a rotina pessoal e do trabalho.
Já estamos vivendo o momento em as pessoas querem que tudo chegue a elas pronto ao invés de precisarem “ir atrás”.
Agora imagine todas as “micro decisões” que o consumidor tomava: clicar em um link ao invés de outro, ser mais atraído por este banner do que aquele, responder de uma determinada maneira no chat… tudo sendo feito pelos agentes de IA.
Quem tomou a decisão no fim das contas?
Suas peças de social, seus criativos de Google Ads, seus emails de inbound, suas colunas de blog… tudo isso servindo apenas para ser lido por agentes de IA, transformados em outros entregáveis, e levados diretamente para o cliente.
São os agentes que escolhem o que o seu potencial cliente vai ver. Decisões foram tomadas antes da decisão final dele. Ele só escolhe a partir do que já foi escolhido.
A sua marca não é mais dona da conversão. E, se você não tomar cuidado, vai perder a propriedade da sua marca também.
Quando tudo vira só material para ser consumido pelas IAs, tudo se transforma em commodity sem qualidade ou até sem sentido. É aí que o conteúdo precisa mudar de valor.
Ele passa a ter papel fundamental em gerar entendimento sobre o que a sua marca é, o que ela resolve e qual o valor dessa solução para a vida das pessoas.
Conteúdo não tem mais o papel de capturar a atenção (essa batalha já ficou para trás), mas de gerar entendimento.
A real diferença competitiva de uma marca vem através de conseguir fazer o público entender melhor:
Qual problema ela resolve
Porque essa categoria importa
Qual valor que a solução entrega
Por que a marca merece existir no meio de tanta coisa parecida
Esses pontos precisam chegar até as pessoas através de todos os canais e em todos os momentos de decisão, afinal, quem decide a entrega é a IA. Sua marca precisa ter foco, consistência e adaptabilidade. Estar permanentemente gerando conhecimento, argumentos de convencimento e relevância.
O conteúdo é o pilar central dessa estratégia. Capaz de entregar educação, clareza e hábito. Não apenas ser usado para preencher as plataformas, mas construir entendimento no público.
Seja com entretenimento, informação, dados ou até notícias. Tudo pode ser absorvido e reaproveitado de alguma forma pelos LLMs.
As marcas mais relevantes da próxima década provavelmente não serão as que conseguirem aparecer mais. Serão as que conseguirem ser melhor compreendidas. Primeiro pelos humanos, depois pela Inteligência Artificial.
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Escrita por Alberto Cataldi, diretor de marketing e jornalista. Me segue lá no Linkedinho que também compartilho coisas deste universo (e memes).
Qualquer erro de ortografia é um easter egg que eu deixei intencionalmente só para as pessoas mais atentas encontrarem.
Até a próxima!







