RECHEIO — Seja memorável
#108 - Estar disponível não é mais sobre ter 10 mil páginas de conteúdo no seu site...
Quando eu falei há duas edições sobre como a Inteligência Artificial quebrou o modelo de funcionamento de SEO, minha intenção não era ser apocalítico. Nem conquistar uns cliques de desespero. A transformação é pra valer e quero começar a aprofundar um pouco mais no que desempacotei ali.
Disponibilidade é um exemplo. Se antes bastava que a página do seu produto estivesse bem ranqueada para ela ser a primeira opção no clique, hoje isso importa quase nada. Com a mesma busca, o Gemini vai navegar por milhares (milhões) de plataformas avaliando verbetes, descrições, avaliações, opiniões, links, publicidade, comentários, referências, posts de social… Muito mais sinais do que é possível mapear ou monitorar.
Pode parecer completamente fora da realidade criar uma estratégia de disponibilidade que dê conta de todos esses espaços. Antes, conteúdo era fundamental para ocupar terreno nas ferramentas de busca e em social. Será que é hora de uma reinvenção de todo o papel estratégico?
Sim e não. O que precisa mudar é a maneira de pensar.
Quem não é visto…
Quando a gente discute disponibilidade, falamos sempre de duas esferas:
Disponibilidade de mercado: a facilidade de ser encontrado seja em mídias digitais ou físicas.
Disponibilidade mental: a facilidade de ser lembrado quando algo associado ao território da marca é acionado.
O primeiro era relativamente fácil conseguir no antigo modelo de buscas por Google ou de social. Mas hoje, com IA, as regras não são mais claras.
Quanto ao segundo, são resultado do velho trabalho de Branding que a gente vê concretizado nos Top Of Mind: quando eu falo em chinelo, em qual marca você pensa? E quando falo em streaming? Telefone celular? App de música?…
Essas marcas todas que você pensou não foram acionadas na sua cabeça através de links do Google, mas de uma rede de associações construídas ao longo de anos de muitas ações, estratégias e presença. A lógica para a IA “pensar” em uma marca é quase a mesma, mas seguindo as trilhas que ela encontra disponíveis na internet.
Elas estão tão disponíveis que seu cérebro acessa sem esforço. O mesmo vale para a IA.
Este artigo do Andrew Holland detalha isso muito bem. Se antes o trabalho do conteúdo era ser de “puxar”, ou seja, atrair pessoas para dentro do seu ecossistema (seja social, site, app, etc), agora ele precisa focar em “empurrar”, um trabalho mais ativo de ir de encontro às pessoas nos espaços onde elas estão, adaptando voz e discurso de maneira mais intencional.
Planeje para a nova realidade
Pense na sua rotina de planejamento e vai se dar conta de que já faz muito disso: conseguir matérias na imprensa através de PR, fazer collabs com influencers, entrar em eventos do setor… São todas ações que envolvem ganhar a atenção através de conteúdo e, assim, posicionar sua marca de maneira consistente na mente delas.
Mas agora, olhar para as ações do mês exige ir além da sua campanha e do seu blog.
Que tal rodar uma pesquisa a respeito do tema principal do mês? Mapear fóruns do Reddit sobre o assunto para interagir? Ver reviews de produtos para tentar entrar de alguma forma? Procurar eventos no período para participar?
Nenhuma dessas ações pode mais ser só pontual nem de ocasião. É fundamental formar uma rede bem planejada com a intenção de espalhar sua presença.
Estar disponível não é mais sobre ter 10 mil páginas de conteúdo no seu site. É melhor ter 100 conteúdos seus espalhados no seu site, mas também em eventos, comentários de social, páginas de reviews, listas de dicas em publicações especializadas…
É construir um espaço mental na cabeça do público e nas referências de IA, onde sua marca domina um território específico e consistente, e não uma lista de centenas de keywords que são muito buscadas.
Minha interpretação de tudo isso é uma evolução natural de tudo o que vem acontecendo nos últimos dois anos: volume de conteúdo nunca foi a resposta, mas domínio sobre os temas e uma distribuição intencional, sim.
“A questão não é: quanto conteúdo produzimos este mês? A questão é: o que construímos, para que foi criado e para onde nos leva?” [Andrew Holland]
No fim, publicar conteúdos certos e ser conhecido por eles leva a sua marca a ser lembrada por aquilo. Ao virar esse tipo de autoridade, seus conteúdos se tornam mais do que um link em uma página, mas a referência em um tema.
O QUE FUNCIONA NO PINTEREST
O Pinterest segue sendo uma plataforma muito interessante para quem quer atingir públicos novos com alto potencial de engajamento. 70% do público de lá é feminino e, segundo dados de fechamento de 2025, o Brasil é o segundo maior país do mundo com interesse no site, atingindo 42,2 milhões de usuários e ficando atrás apenas dos EUA, com 96,9 milhões.
Mas o sucesso por lá não segue a mesma fórmula das redes sociais. É tudo sobre conteúdo e diversificação. Em um novo post no blog de desenvolvedores do Pinterest, a empresa revela um pouco mais sobre como a diversidade influencia a escolha dos conteúdos recomendados por eles.
Para obter um melhor engajamento de curto e longo prazo, aplicamos um algoritmo de reclassificação baseado em diversidade em nosso feed como parte principal da camada de otimização multiobjetivo. É também uma das partes mais importantes do sistema de reclassificação multiobjetivo.
Sim, o papo é técnico. Mas basta saber que, embora postar sobre um tema que o usuário já tenha buscado antes dá boas chances de aparecer nos resultados, ter outras variedades de conteúdos na mesma linha ajuda a mapear outros sinais de ação do usuário além dos Favoritos, aumentando as chances de receber uma recomendação no futuro.
CURTO CIRCUITO
Eu baixei o GloboPop, o tal aplicativo de vídeos curtos da Globo, e não sei bem o que pensar.
É claramente um clone do TikTok, mas em versão light e movido por muitos conteúdos da própria empresa. Sejam cortes de novelas, trechos de notícias ou pedaços de outros programas, como BBB e até do canal Combate.
Mas não é só isso: lá também estão disponíveis vídeos feitos pelo elenco da Globo para suas próprias redes sociais, além de conteúdos de outros influenciadores que já bombam no Instagram. Não faz muito sentido, são posts que já estão em outras plataformas (em vários casos, até com marca d’água), mas deve ser a maneira que a empresa conseguiu para viabilizar o interesse dos creators em troca de alguma grana de publicidade.
E posso falar que tem MUITA publicidade. No meu tempo usando, foi uma média de 1 a cada 4 vídeos. E todas bem repetitivas.
Não é uma rede social, então você não pode postar seus vídeos, fazer cortes ou reacts. Mas também não é uma plataforma de vídeos, pois não prioriza engajamento de conteúdos longos ou episódicos. Talvez logo venham as novelinhas para mudar isso mas, por enquanto, parece uma tentativa de surfar em uma onda que já passou.

COMENTÁRIOS QUE ENGAJAM
Responder aos comentários dos seus posts no Facebook aumenta o seu alcance! E não é hack, mas o resultado de um estudo real feito pela Buffer identificou que publicações onde o autor interagiu nos comentários tiveram 9,5% mais reações do que os demais. Considerando o volume de usuários na plataforma, o potencial de alcance é significativo. Uma boa dica é criar rotinas frequentes de interação nos seus posts recentes, mas também não deixar de lado os antigos que ainda estejam rendendo.
IA AINDA NÃO CHEGOU LÁ
O CEO da Ahrefs publicou uma análise interessantíssima sobre a queda de resultados orgânicos do Google após a chegada da IA. Segundo Tim Soulo, o Google perdeu share na origem dos sites analisados pela plataforma nos últimos 10 meses, caindo de 35% para 30%. Teria essa fatia ido para a busca por Inteligência Artificial? Não, essa origem cresceu de 0,22% para 0,26%, quase nada.
Sabe qual teve o maior crescimento? Busca paga, saindo de 13,99% para 17,15%, alta de 3,2 p.p.
A razão parece ser simples: a busca orgânica está perdendo relevância, mas ainda não está sendo substituída pela busca por IA. Como os cliques não estão vindo, as empresas investem mais em Ads para compensar a falta de tráfego.
Pois é, o Google quebrou a máquina e a solução parece ser… dar mais dinheiro para o Google?
E vale destacar: a busca agêntica ainda não é uma realidade de impacto. De acordo com a própria Ahrefs, entre junho de 2025 e março deste ano, enquanto o Google orgânico gerou 392 milhões de visitas aos sites monitorados, as buscas por IA não atingiram pouco mais de 3,3 milhões. Como referência, social trouxe 105,9 milhões e Pago, 220 milhões.
BOCADITOS
Links rápidos para leituras demoradas.
• Report: animações independentes em alta. Do jeitinho que eu falei na edição #105… [YouTube]
• Como o sucesso de uma banda foi ‘inventado’ por uma agência de Trends (será?) [Wired]
Obrigado pela leitura!
Esta é a newsletter RECHEIO. Toda quinta-feira, às 07h08, conteúdo que importa direto no seu e-mail.
Por Alberto Cataldi, diretor de marketing e jornalista. Me segue lá no Linkedinho que também compartilho coisas deste universo (e memes).
Quero saber o que achou! É só responder este email. Mande elogios, dúvidas e críticas.
Até a próxima!







