RECHEIO — Conteúdo Qualquer Coisa
#109 - Seus posts poderiam estar sendo feitos por qualquer um?...
Conteúdo virou commodity.
Foi assim que a gente aprendeu a trabalhar. Seja pela constante demanda de publicações nas redes sociais, pela produção contínua de vídeos pra YouTube ou pela necessidade de dominar todos os territórios de palavras que o Google sugere. A estratégia sempre foi uma só: produzir, produzir e produzir.
O resultado não é muito surpreendente. Tudo ficou muito igual. Ao ponto de que muita marca por ai defende produção de conteúdo feita 100% por IA e parece que não faz muita diferença, afinal, já é tudo tão robótico e parecido que a substituição se torna natural (e econômica).
Mas, voltando a um ponto que eu trouxe em uma edição recente da RECHEIO, a chegada das buscas por LLM mudaram tudo. E não só pelo resultado das visitas orgânicas que elas geram, mas pela maneira de pensar, que precisa abandonar os sinais e referências que não fazem mais sentido.
Esqueça o grande volume, as listas de palavras, os termos de busca. O risco é sua estratégia virar qualquer coisa.
Conteúdo Qualquer
Recentemente, em um evento do Google Search Central em Toronto, o porta-voz da empresa, Danny Sullivan, trouxe dicas de boas práticas para ganhar espaço nos resultados da plataforma. A principal delas? Deixar de fazer Commodity Content ou, como eu prefiro chamar, Conteúdo Qualquer Coisa.
Se você não sabe, tenho certeza que imagina. Conteúdo Qualquer Coisa é justamente o tipo que poderia ter sido feito por qualquer marca, qualquer pessoa em qualquer lugar. São as listas genéricas que reúnem temas, é o post que está surfando numa onda sem ter profundidade, é a reunião de termos de busca e backlinks em um texto criado a partir de um relatório genérico do Ahrefs…
Isso pode ter funcionado no passado. Antes, não importava qual marca estava tirando a sua dúvida, mas sim qual respondia “primeiro” e mais a fundo — mesmo que esse fundo fosse bem superficial. A relevância vinha a partir de cliques e visitas. A autoridade vinha depois.
Hoje, as coisas mudaram. A autoridade de uma marca passou a ser muito mais importante do que o aparente domínio que um site tem sobre um território.
Agentes como ChatGPT ou Gemini vão indicar uma empresa não com base no domínio que ela tem em SEO, mas a partir da relevância que a marca tem como referência dentro daquele tema.
Issi significa diversificar e aprofundar, mas de forma proprietária. Não basta ter post, precisa ter pesquisas, depoimentos, análises, entrevistas…
Dominando com surpresa
Nos exemplos dados por Sullivan, conteúdos comoditizados seriam “10 coisas para levar em conta ao comprar tênis de corrida” ou “Tendências para cozinhas que você precisa ver em 2024”. Segundo ele, versões melhores seriam “Porque os tênis desse corredor colapsaram após 600 quilômetros: uma análise de padrão de desgaste” e “Mármore versus suco de uva: por que me recusei a instalar balcão de pedra para uma família de cinco pessoas”.
OK, essas sugestões poderiam ter sido mais refinadas… Mas a ideia principal é bem clara: tá tudo tão igual que até um conteúdo interessante pode virar genérico se a prioridade for atender aos hacks de busca e engajamento.
Como analisou Andrew Holland em um post, uma dica meio óbvia e ultrapassada esconde uma revisão importante:
É fundamental deixar de fazer o conteúdo que o público espera encontrar e trabalhar em conteúdos que ele não esperava encontrar.
Se uma lista de “10 lugares para viajar em 2026” é extremamente óbvia e sem personalidade, relatos do tipo “Porque eu me apaixonei por essa cidade do sul de Minas Gerais” ou “Esta cidade foi eleita a preferida das famílias que viajam” trazem algo de surpreendente. Elas prometem mais do que um conteúdo: prometem uma história, uma descoberta e autoridade sobre o tema.
Pra mim, o mais interessante é que essa estratégia já funciona pelo menos desde 2018. A ideia de tratar o conteúdo mais como uma rede de temas e formatos e menos como um canal de entrada é o que muitas marcas vêm fazendo nos últimos anos para amadurecer.
Produzir conteúdo é o básico. Para ir além, é preciso produzir conhecimento. Conteúdo que tenha valor.
Então faça entrevistas com especialistas para publicar nos seus canais. Rode pesquisas de opinião e use como PR em veículos de imprensa (o impacto positivo nas buscas por LLM é imenso!) Transforme relatos internos da sua empresa em histórias para humanizar sua marca. Vá além do que os relatórios pasteurizados de produção de conteúdo oferecem pra você.
Você só vence no SEO se vencer no conteúdo. E a receita da vitória hoje vai muito além de listas de palavras e regras de H1 e H2. É preciso ter propriedade, autoridade e profundidade. Mas nada disso vai adiantar se você não tiver personalidade.
QUEM CONF.IA?
Saiu um relatório novo da Meltwater e da YouGov medindo o índice de confiança das pessoas em conteúdos feitos com Inteligência Artificial. E a maioria está preocupada. 51% dos respondentes, não estão empolgados com um futuro com mais IA. Apenas 39% se disseram otimistas.
E fica pior: 69% dos participantes disseram se preocupar que conteúdos gerados por IA contenham informações incorretas ou enganosas e 43% acham que elas têm pouca criatividade ou perspectiva humana.
No fim, não existe nenhuma área onde o público se sinta 100% confortável com o uso de IA Generativa, seja em imagens, textos, vídeos ou áudios. Só quando se trata de conteúdos de entretenimento é que o uso da tecnologia fica um pouco mais aceitável (53%).
E para finalizar, a maioria dos respondentes afirmou que confiaria menos em uma marca se souber que ela fez uso de IA Generativa. A recomendação segue a mesma: todo mundo quer que qualquer uso de IA seja muito bem identificado.
Participaram da pesquisa pessoas da Alemanha, Austrália, Canadá, Cingapura, Estados Unidos, França e Reino Unido.
QUEDA HISTÓRICA
O primeiro trimestre de 2026 trouxe um evento inédito: pela primeira vez, o número de usuários diários ativos nas plataformas da Meta caiu. No período, foram registrados 3,56 bilhões de usuários, frente 3,68 bi no trimestre anterior. Parece uma queda pequena mas, repito, isso nunca havia acontecido antes. A justificativa da empresa foi a restrição de acesso ao Whatsapp na Rússia (que entrou em vigor em fevereiro) e a instabilidade da internet no Irã. De qualquer forma, é um sinal de grande impacto sobre a mudança de comportamento do público.
SEJA ORIGINAL
Lembra quando eu falei que estamos vivendo na era dos clipadores? O CEO do Instagram, Adam Mosseri, não curtiu muito isso. E não porque eu disse (eu chequei, ele não assina a newsletter… ainda), mas pelo enorme impacto que este tipo de conteúdo tem gerado na plataforma. Tanto que o algoritmo foi ajustado para dar mais relevância para conteúdo original.
“Agora, contas que postam principalmente conteúdo não original em posts de fotos ou carrossel, além de reels, não serão mais exibidas em locais onde recomendamos conteúdo.”
Na explicação detalhada, fica claro que as “contas agregadoras” vão perder o status de creators, e qualquer post que não tenha edições significativas não vão ganhar divulgação nas recomendações. O que é significativo? “Adicionar um texto exclusivo ao próprio conteúdo que forneça mais contexto do que apenas descrever o que está acontecendo, adicionar gráficos criativos que ofereçam novas informações ou usar o recurso de remix para transformar o original.”
É um movimento de sobrevivência. O Instagram já tem soluções nativas como reposts e remixes que abrem espaço para quem quer compartilhar sem se apropriar do conteúdo alheio. Ao mesmo tempo, essas contas “agregadoras” diminuem as chances de monetização de creators originais e diluem o alcance de conteúdos novos. Por enquanto, YouTube e TikTok são bem mais confiáveis nessa proteção ao conteúdo original.
Ao mesmo tempo, o avanço dos clipadores tem tornado as redes sociais bem pasteurizadas. Os mesmos conteúdos podem aparecer diversas vezes na timeline, sempre com trechos ou edições diferentes. O formato funciona, mas como efeito colateral pode tirar a personalidade se usado em excesso…
NÃO TEM IDADE
A Meta divulgou um novo estudo sobe o gap geracional entre a Geração Z e os Boomers. E parece que ele não existe mais. A pesquisa mapeou preferências e comportamentos de 4 gerações, incluindo X e Millenials e o mais interessante é ver que a diferença entre preferências é mais determinante do que a idade. Tanto que a recomendação deles na hora de testar hipóteses de campanha é ignorar a faixa etária e sim para as etapas da vida.
“Alguém que está passando por uma fase importante da vida, seja se formando, se casando ou tendo um filho, apresenta uma intenção de compra até 26 pontos percentuais maior do que alguém que não está, independentemente da idade.”
Além disso, a Meta ainda traz alguns aprendizados para mergulhar melhor nos comportamentos que abrangem todas as idades:
Conteúdo é moeda social: todo mundo compartilha posts com alguém no privado, muito mais do que publicam nos feeds. E conteúdos podem gerar esse comportamento em qualquer idade.
Economia da relevância: preferências pessoais importam mais do que cultura genérica e também abrangem mais gerações. E ser expert atrai mais público do que ser famoso.
Scroll substituiu a busca: todos os perfis tomam decisões de compra scrolando, especialmente a geração Z (85%). E a maioria deles vê valor quando a comunicação com as marcas acontece via DM (que poucas marcas usam!)
BOCADITOS
Links rápidos para leituras demoradas.
• Guia: como construir visibilidade de marca nas buscas por IA [Semrush]
• Guia do Reddit para pequenas empresas aproveitarem a plataforma [Reddit]
Obrigado pela leitura!
Esta é a newsletter RECHEIO. Toda quinta-feira(só fiquei fora por 2 semanas…), às 7h08, conteúdo que importa direto no seu e-mail.
Por Alberto Cataldi, diretor de marketing e jornalista. Me segue lá no Linkedinho que também compartilho coisas deste universo (e memes).
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Até a próxima!










