RECHEIO — O Google mudou tudo
#111 - Vou tentar explicar aqui o que está acontecendo realmente e o que você precisa tirar disso.
O Google mudou tudo. Agora só existe IA.
Não é bem isso, mas é o que todo mundo está falando no LinkedIn, nos sites especializados de tecnologia e nas newsletters de marketing (oi!)
Por outro lado, há profissionais de SEO estourando champanhe após a empresa afirmar que esse negócio de GEO, AEO, IAO é baboseira… Qualquer técnica usada para performar melhor nos resultados de busca, mesmo com IA, faz parte do SEO.
Então a busca do Google morreu, mas o SEO continua vivo?
Vou tentar explicar aqui o que está acontecendo realmente e o que você precisa tirar disso.
1. O Google passou por uma grande transformação
Isso é verdade. No I/O 2026, seu evento de lançamentos, a empresa trouxe o que certamente são as maiores mudanças já feitas em sua estrutura de buscas. E a demonstração disso começa logo na própria caixa de perguntas, que traz mais fluidez para mudar entre respostas por resumos de IA ou através de chat com o Gemini.
Todos os recursos que já eram nativos, como autocomplete, formatos de resultados e vídeos agora passam a ser integrados nesse recurso. Quem quiser usar a página “tradicional” de links vai precisar selecionar a opção Web no menu.
E sim, isso significa que a busca, como a gente conhecia, acabou. Chegou a era agêntica e o Google espera que os usuários deixem que os agentes deem um Google por eles. As respostas aparecem muito mais completas do que no AI Overviews atual e a presença de links nas respostas é garantida, porém…
2. O Google não quer que ninguém saia
Fica bem evidente nos próprios vídeos de experiência que a empresa divulgou: quem vai navegar, pesquisar, clicar e organizar as informações vai ser a IA e não o usuário. A experiência é visivelmente focada em manter as pessoas dentro da plataforma, sem precisar clicar em nenhum link externo ou interromper a conversa pra ir atrás de mais dados.
Isso significa muito impacto para as visitas orgânicas dos sites. E, sabendo disso, a empresa trabalhou um grande plano de contenção para garantir que o SEO não está morrendo, só mudando de prioridades…
3. SEO não é GEO?
Antes mesmo do evento, o Google já havia divulgado um material totalmente novo. Um guia para orientar a criação de conteúdo mais amigável para as buscas por IA. Foi lá que apareceu a frase que pareceu tranquilizar todo mundo nos últimos dias:
“Da perspectiva da busca do Google, otimizar para busca por IA generativa é otimizar para a experiência de busca, portanto ainda é SEO”.
Mas veja bem, isso parece bem o tipo de coisa que uma empresa que dependeu muito de SEO diria agora que pretende depender muito de IA.
As novas orientações e melhores práticas parecem criar um fluxo claro para transformar tudo o que a gente cria de conteúdo em matéria prima para ser apropriada e reaproveitada pelos agentes. Mais do que isso, parece fazer isso de uma maneira que desconsidera a performance dos sites e conteúdos em outras plataformas de IA, como ChatGPT, Claude e Perplexity.
Então seguir as melhores práticas não garante nem que seu site vá aparecer na busca, nem na IA, mas que ele terá o tipo certo de conteúdo para o Google usar em seus agentes.
Como é que eu explico isso na minha empresa?
Os sinais dessas mudanças já vinham fortes desde 2025. Por isso o seu resultado orgânico vinha caindo, a relevância migrou para outros indicadores e sair produzindo conteúdo com IA Generativa em larga escala não estava trazendo resultado.
O Google está mudando para sobreviver e isso vai obrigar a todo o ecossistema de sites e marcas que dependiam dele a mudar também. Mas isso já era necessário há bastante tempo. Basicamente, desde que o ChatGPT começou a se tornar canal de pesquisa para as pessoas.
O momento agora não é de tomar decisões drásticas, mas observar os dados, mapear os comportamentos e identificar como as origens de audiência do seu site vão evoluir.
Mas tenha certeza que uma coisa não muda, e o guia do Google até deixa isso bem claro: ter autoridade nos temas da sua marca continua sendo o mais importante, sempre garantindo ser útil e aprofundado. Com isso garantido, vai ser mais fácil você se adaptar a qualquer cenário que venha por aí.
LINKEDIN NÃO QUER SLOP
Quem diria que incentivar tanto o uso indiscriminado de Inteligência Artificial Generativa daria errado, não é mesmo? O LinkedIn anunciou que vai tirar a relevância de conteúdos (ruins) feitos por IA. Um post da VP de produto, Laura Lorenzetti, esclareceu que o uso excessivo da tecnologia diluiu o potencial de insights e conexões reais. Agora, o algoritmo vai penalizar conteúdos de clickbait, posts reciclados e qualquer tipo de conteúdo genérico que não tenha autenticidade. E isso também vale para comentários. Em testes iniciais, as ferramentas foram capazes de identificar slop em 94% dos casos, reduzindo o potencial de distribuição do conteúdo. A vida vai ficar mais difícil para algumas lideranças temáticas na plataforma…
FORA DAS REDES
O desejo de ficar offline e fugir do mundo algorítmico está moldando os hábitos de vida e de consumo das pessoas, especialmente entre os jovens (”lá vem mais dados sobre Geração Z…”). A ambição é estar cada vez mais fora das redes, mesmo para uma das faixas mais conectadas.
A Vogue traz uma reportagem muito boa detalhando esse movimento, uma resposta ao excesso e esforço que as redes sociais transmitem para as nossas vidas. Muita informação, muito conteúdo, muita opinião, muita complexidade… O erro está na tentativa das marcas de mostrar domínio sobre tudo isso. Ou, segundo Shaun Singh, CEO e fundador da agência de análise de tendências Death to Stock:
“Consumidores podem sentir o cheiro do vício em algoritmos instantaneamente. Postagens constantes, tendências constantes, tentativas constantes de parecer culturalmente relevante. A maioria das marcas atualmente parece alguém se esforçando demais em uma festa”.
O caminho indicado cada vez mais passa a ser sobre viver a experiência e valorizar o momentâneo. Até a atenção do público deve ser tratada com maior cuidado. Não basta só capturar e reter, mas “premiar”, entregando algo inesperado, criativo e próprio. As discussões que antes eram sobre “viralizar” passaram a ser sobre “criar significado” e cada conteúdo feito pelas marcas precisa refletir isso se quiser realmente estar na vida do seu público.
FALHA EM SOCIAL
Sua operação de social poderia estar gerando insights poderosos de negócio. O problema é que você não está prestando atenção.
Pelo menos se você for executivo ou um tomador de decisão de fora do time de Social. Segundo uma pesquisa da Sprout em parceria com a Panoplai, apenas 36% dos profissionais utilizam dados de social para amparar decisões fora da área de marketing.
Esse comportamento é meio absurdo e um ótimo exemplo de desperdício de recursos. Em muitos casos, empresas acabam investindo tempo e dinheiro construindo reports de mercado ou estruturando dados de inteligência através de outras áreas. Algo que poderia ser feito com mais velocidade e eficiência através da operação de social.
Ainda na mesma pesquisa, feita com 705 profissionais dos EUA, Reino Unido e Austrália, 33% dos respondentes disseram que suas marcas perderam alguma onda de mudança de mercado por não analisar corretamente os dados de social.
A maior barreira hoje é antiga: tratar a área de Social como silo que só gera dados para a operação do próprio marketing. Consequentemente, o departamento fica isolado e perde o pulso do restante da empresa.
Acompanhamento e mensuração dos canais sociais não devem ser apenas para performance e branding. Eles carregam informações fundamentais sobre comportamento, preferências, demografia e mudanças sociais. Além de ser mais rápido que rodar uma pesquisa, permite acompanhar tudo progressivamente, como um filme, e não apenas uma foto tirada a cada 6 meses.
Estruture sua operação de social para ser inteligente, estruturar relatórios e trazer insigths não apenas para o marketing, mas para o negócio. Afinal, por isso que chamamos de mídias sociais.
É TUDO PROPAGANDA
A Floodify é uma empresa especializada em gerar atenção para marcas e pessoas. Em um esquema elaborado de planejamento, monetização e distribuição, eles se dizem capazes de transformar qualquer evento em viral. A receita envolve coordenar a publicação de clipes em milhares de contas, algumas vezes chegando a 50 mil vídeos no TikTok, Instagram, Twitter e YouTube. A velocidade e frequência das publicações, combinadas ao engajamento, gera sinais de potencial viralidade para o algoritmo das plataformas, que se encarrega de amplificar a distribuição organicamente.
E se isso parece algo que está acontecendo bastante no seu feed, provavelmente é porque está.
Joe Lim, um dos fundadores da empresa, estima que 90% do que é trend hoje nessas plataformas foi viralizado artificialmente através desse método. De músicas a campanhas políticas. “Todo mundo está fazendo isso hoje”, diz Liam, “e se você não está, está ficando para trás”.
Claro que muito disso pode ser papinho para se vender como um grande arquiteto oculto das redes, mas a a distribuição coordenada de clipes já tem se tornado um recurso cada vez mais mais adotado até em grandes eventos e marcas. Não é para qualquer um, mas parece uma boa razão para a estafa que faz os jovens quererem sair das redes, como eu trouxe ali acima.
BOCADITOS
Links rápidos para leituras demoradas.
• Como criar um blog no Shopify (tem dicas boas!) [Shopify]
• Como a IA está impactando a Creator Economy [Digiday]
Obrigado pela leitura!
Esta é a newsletter RECHEIO. Toda quinta-feira, às 7h08, conteúdo que importa direto no seu e-mail.
Escrita por Alberto Cataldi, diretor de marketing e jornalista. Me segue lá no Linkedinho que também compartilho coisas deste universo (e memes).
Qualquer erro de ortografia é um easter egg que eu deixei intencionalmente só para as pessoas mais atentas encontrarem.
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Até a próxima!








